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Saint Seiya - Pégaso Shinwa: Fuin no Chi-Hen


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“O que é isso?”

 

Seus olhos contraíram-se por um instante e foram se abrindo lentamente, revelando um tom castanho-avermelhado. Estava frio ali e o céu estranhamente pintado de cinza. Flocos brancos caíam vagarosamente do céu e cobriam seu corpo, acomodavam-se em seus cabelos alvos. Estava formigando, congelado.

Caído numa imensidão branca e fofa. Montes que se acumulavam, pedras que brilhavam quando tocadas pelos mais simples raios de sol.

 

Ele fecha mais uma vez os olhos e as memórias correm velozes em sua mente. Lampejos que mostravam dedos que se aproximavam de sua testa, sangue que escorria do canto de sua têmpora, luzes vermelhas, verdes, douradas que se projetavam em sua direção como raios.

 

Seus dedos afundaram na neve e a agarraram com força criando pequenos bolos de cristais. Sua boca se abre num arfar desesperado e transforma-se numa expressão de dor. Suas sobrancelhas se curvam para baixo e pressionam o centro da testa enrugando-a.

 

Capítulo 08: Dogma

 

A nevasca estava mais forte agora, os ventos batiam contra seu corpo. Ele segurava o tríceps direito com a mão esquerda, estava coberto apenas por um manto amarelado e esfarrapado. Seus cabelos de prata agitavam-se para trás revelando uma testa ferida no canto direito. Estava com as vistas um pouco embaçadas, já nem sentia mais os pés.

 

- Eu não consigo me lembrar direito... – Era uma voz firme, porém, visivelmente abalada. O jovem tinha belas feições. O formato dos olhos, o nariz, a boca, o queixo, tudo em seu devido lugar. Seu corpo era atlético, provavelmente treinara por muito tempo. – Que lugar é esse?

 

Acabara de levantar do lugar onde estava caído agora a pouco. O cenário não era diferente até a linha do horizonte, mas pela esquerda havia um lago congelado. Ele para por um instante, olha em todas as direções e suspira.

 

“Lembre-se, Liham... O que aconteceu?” – Sua voz ecoou em sua mente e ele finalmente caiu em suas próprias lembranças.

 

A grama baixa e a árvore que tocava sua coluna e fazia sombra com seus galhos avantajados formaram-se. O céu estava escuro, parecia que ia chover.

 

Um raio.

 

Não foi um raio normal. Ele piscou no céu e caiu numa parte um pouco mais afastada do vilarejo que ele observava do alto da colina, debaixo da macieira.

 

Liham levanta-se de um salto. Seus olhos concentram-se no lugar em que o fenômeno havia acontecido. O jovem dispara para lá sem pensar em muita coisa.

Seus braços iam alternadamente para frente e para trás acompanhando o ritmo apressado das pernas. Já correra bastante, estava começando a fica cansado, mas já era possível ver uma fumaça cinza subir trêmula num único filete em direção ao céu.

 

Cabelos balançando, olhos fixados naquele lugar como se nada mais te chamasse a atenção...

 

Ele chegou.

 

Havia uma cratera fumegante de alguns metros em circunferência e profundidade à sua frente. Muita fumaça e poeira ainda cobriam o campo de visão, mas ele era um exímio lutador, conseguia muito bem sentir um cosmo dali de dentro.

 

Havia um homem se movendo com dificuldade. Sua armadura dourada estava quebrada nas ombreiras e o peito totalmente danificado.

 

- Pelos deuses! – Liham salta para dentro da cratera e corre até o cavaleiro. Ao encostar no braço direito do mesmo a palma da sua mão fica queimada, ele recua dois passos. – O senhor está bem?

 

- Afaste-se... Ele ainda está aqui... – O cavaleiro se põe de pé com dificuldade, olha pra cima e fita um brilho fraco que se escondia no céu. – Sai já daqui, Garoto!

 

O homem flexiona os joelhos, uma áurea dourada o envolve e ele dispara em direção ao céu tão rápido quanto caíra. Liham o acompanha com os olhos e os força para conseguir enxergar direito.

 

Dentro das densas nuvens cinza era possível ver globos luminosos que as atravessavam de lado a lado, alguns caíam nas montanhas distantes e causavam pequenas explosões, outros faziam mais estragos.

 

- Mas o que está acontecendo aqui? – O jovem estava observando a batalha que acontecia até então e um brilho chama sua atenção dentro da cratera. Um elmo dourado. Ele se abaixa e o segura com as duas mãos. As laterais possuíam protuberâncias que lembravam asas, mas sem detalhes de penas e ao centro da testa uma pedrinha vermelha que ficava assim de quatro espécies de galhos, dois que se fechavam mais para dentro e dois mais abertos. Ele olha mais uma vez para o céu.

 

Talvez aquele brilho avermelhado fosse resultado da colisão dos punhos dos dois combatentes. Algumas vezes era possível ver suas sombras voando velozes de um lado para o outro. Após alguns segundos, um poderoso estrondo sacode toda a terra. Liham se desequilibra e cai, largando o elmo.

 

- Talvez eu consiga... – Ele se põe de pé, bate das mãos na bunda para limpar o fundo da calça, em seguida bate uma na outra, flexiona os joelhos e se foca no lugar entre as nuvens que emitia os brilhos. Uma áurea branca o envolve timidamente, seus cabelos balançam de um lado para o outro e a sua camisa sacode, por um instante é possível ver seu umbigo ilustrando uma barriga bem definida.

 

Um impulso desce para seus pés e no instante seguinte ele se vê subindo na mesma direção em que o cavaleiro fora, porém, na metade do caminho, ele perde força e começa a cair.

 

Seu corpo gira, seus olhos se arregalam e ele tenta procurar a forma menos dolorosa de tocar o chão. Caiu de lado e fechou seu corpo como uma bola humana que girou duas vezes escorregando pela grama, ao parar ele sacode a cabeça e se levanta rapidamente, fazendo o mesmo processo de limpeza que fizera antes.

 

- Que diabos é isso?

 

Havia um muro alguns metros à sua direita, que fechava as fronteiras da cidade. O que não era normal ali era justamente esse espaço que ficava sobrando entre a cidade e o divisor. As outras geralmente tinham muros colados nas casas.

 

No céu dois homens voavam ameaçadoramente um em direção ao outro. Um deles trajava uma vestimenta negra e com vistosas asas. Tinha uma pele branca,

olhos de cor violenta e longos cabelos brancos, cujas duas mechas caiam-lhe pelos ombros e escorriam pelo tórax. O outro tinha cabelos castanhos, olhos da mesma corpo e uma pele um pouco mais rosada, estava muito ferido e visivelmente cansado.

 

Ambos param suspensos no ar por um instante, um observando o outro.

 

- Está cansado? Não prefere simplesmente voltar ao chão e deixar que eu quebre seus ossos até que morra? – O Espectro estava sorridente e com um olhar irônico, ele aponta o indicador direito. – Muito esperto...

 

- Muito provavelmente aquele que cair primeiro por cansaço é que será o vencedor. Daqui de cima eu também não posso aplicar minhas técnicas em você, Minos... – O olhar altivo do cavaleiro o faz assumir uma postura mais séria. – Deveria ouvir a bela canção dos deuses...

 

Liham estava mais uma vez flexionando os joelhos e partindo em direção ao céu, dessa vez fora mais alto, mas não demorava a cair.

 

- Não vou deixar que ninguém venha até aqui e faça o que bem entender... – O jovem une as duas mãos com os braços esticados. A áurea branca o envolve mais uma vez. Uma esfera pisca no centro, seus dedos se contorcem como se apertasse algo sólido, mas era simplesmente energia. – Vou expulsá-los!

 

A esfera brilha com intensidade e ele aponta para o céu. Um jorro de luz voa perigosamente da palma de suas mãos e sobe em direção ao firmamento,

exatamente para onde os dois forasteiros se digladiavam. Ele segue deixando um rastro de luz, fazendo uma curva, quase como uma lua crescente e logo é engolido pelas nuvens escuras.

 

Aparentemente se chocou com algo. O céu brilha como se um trovão tivesse explodido ali e logo em seguida os dois caem. Caem com velocidade e o impacto é

extremamente forte. Foi possível ouvir os gemidos que fizeram ao encontrar em contato com o solo.

 

O cavaleiro de ouro caíram alguns metros à frente de Liham e ele corre até o mesmo, levando consigo o elmo que jazia aos seus pés.

 

O segundo estava começando a se levantar. Desengonçado, talvez atordoado. Liham entra em posição de combate.

 

- Quem é você?

 

- Bem como eu imaginei... – Minos se põe de pé e sorri. – O cosmo do qual Atavaka falou realmente estava aqui...

 

- Do que está falando? – Ele recua alguns passos e acaba pisando sem querer na mão do cavaleiro que ainda estava desacordado. – Perguntei quem é você!

 

- Eu sou Minos de Griffon, a Estrela Celeste da Nobreza... Um dos três juízes do mundo dos mortos... – O Espectro sorri e começa a caminha em direção ao jovem, mantendo o mesmo sorriso sádico no rosto. – Fui avisado de que uma possível estrela celeste brilhava com força nesta cidade... E agora estou vendo que muito provavelmente ela pertence a você...

 

- Um dos juízes do inferno?! – Seus olhos ficaram trêmulos, por um instante seus joelhos também. – Está enganado... Não sou um Espectro...

 

- Você é sim... Olha só o que fez para proteger esta vila... – Os cabelos de Minos sacodem para a direita com o vento. Ele olha para o corpo desmaiado do cavaleiro de ouro. – Ele veio até aqui para tentar me impedir... Na verdade encontrou comigo no caminho para Ca, quase nos limites da outra cidade, a do porto...

 

- A cidade do porto pertence ao exército de Athena... – Liham olha de esguelha para o cavaleiro, acompanhando Minos e em seguida o encara novamente de forma mais severa. – Eles estão protegendo o lugar...

 

- Está enganado... Estão apenas aplicando a mesma tirania de sempre. Não vê o que Athena está fazendo? Ela fechou todas as cidades, tirou a liberdade de todos os habitantes... Toda a Grécia está na mesma situação. Felizmente... Consegui abater este homem, com sua ajuda, claro... – Minos já não estava mais sorrindo. Ele limpa o canto da boca que estava escorrendo sangue. – Dessa forma a cidade do porto passará a ser controlado pelo nosso querido imperador Hades... Ele sim almeja a verdadeira paz. A deusa da guerra foi cegada pelo próprio ego!

 

- Não diga besteiras! Athena sempre foi uma ótima deusa!

 

- Athena enfrentou Poseidon e Ares! Voltou-se contra os deuses e agora quer tomar o Olimpo... Não seja iludido pela falsa paz que ela quer criar... – Ele da de ombros e observa o céu. – Falsa paz... Tudo para ser uma deusa única... Digno de pena...

 

- Ele está mentindo... – O cavaleiro de ouro finalmente falara. Ele estava quase de pé agora, apoiando-se nos joelhos e nas palmas da mão. – Athena nunca iria iniciar um levante contra o Olimpo...

 

- Ainda está vivo, Virgem? – O juiz estende a mão direita para Liham. – O negro das nossas Surplices representa a sobriedade que o imperador Hades quer transmitir aos humanos... Nem mesmo nisso Athena é simples. Vaidosa, usando ouro como um simples atrativo... – O juiz estala os dedos e do nada uma pesada urna negra surge diante dele. – Vista e sinta que minhas palavras são verdadeiras.

 

Há aquela altura Liham já não conseguia identificar seus pensamentos. Ele da alguns passos em direção à urna. A imagem gravada na lateral que estava voltada para si chamava sua atenção. Um animal quadrúpede, de pé com as duas patas traseiras e com asas.

 

- Se a vestir você vai conseguir compreender o que estou dizendo. Sou um juiz do inferno, meu rapaz... Não perderia tempo em vir até aqui só para te iludir. – O sorriso de Minos era convidativo, não parecia falso. Ele caminha até a urna e desliza a mão esquerda por cima da tampa. – Só precisa puxar a corrente...

 

Ele estava cada vez mais próximo. Talvez nem se importasse mais com o cavaleiro que agora se colocava de pé. Talvez se ele de fato abrisse a urna, fosse atacado. Seria uma reação mais que natural.

 

Os segundos seguintes pareciam estar em câmera lenta.

 

Alguém gritou às suas gostas, um lampejo roxo veio de sua frente,talvez desferido por Minos. Um segundo irrompeu de trás e era avermelhado. Ambos se chocaram e criaram uma esfera negra que explodiu e expeliu Liham para trás, junto com a urna negra. Antes que ele pudesse sentir o impacto do chão, seu ombro direito fora tocado por Propos.

 

Inconscientemente o jovem agarra a alça direita da urna. Seu corpo dirá de dentro para forma. Ele ouve o barulho de explosões. O muro se desmanchando, destroços voando para todos os lados. O cavaleiro voando em direção ao Juiz e o Juiz fazendo o mesmo. Seus punhos se colidiram.

 

Ele sentia como se seu corpo não fosse mais material. Talvez ainda estivesse ali, mas desmaterializado, viajando aos poucos pelo tempo e espaço.

 

O mundo perdeu as formas, sua roupa se rasgou, mas ele não soltavam a alça e no instante seguinte um tecido amarelado cobria seu corpo suspenso em meio a algo que parecia ser o universo.

 

Por fim caiu... Em algum lugar macio e frio, não sentia mais nada sendo apertado por entre os dedos.

 

Liham abriu os olhos e se viu sentado na neve e encarando o lago. As memórias eram estranhas, estava tudo muito embaçado, mas seus pensamentos eram um pouco mais nítidos.

 

- Antes que eu pudesse deixar a cidade... – A urna da Surplice estava caída encima da expeça camada de gelo que cobria o lago. – Ele atacou a minha cidade... Não aceitou o que me viu fazer...

 

Ele se levanta, seus pés afundando na neve a cada passo que dava, até chegar à borda do lago. Seu olhar fixo na caixa negra.

 

- Nunca nos deixaram em paz, ao que parece... Athena... E nem mesmo Hades... – O primeiro passo com o pé direito, o gelo estava firme. Ele caminha com cuidado para não escorregar, o olhar perdido e os cabelos brancos sacudindo de um lado para o outro. – Então talvez eu possa fazer alguma coisa, se há mesmo uma estrela me protegendo.

 

Ele alcança a urna. Na tampa estava escrito em grego “σκοτάδι”, O mesmo que “Trevas”. Um brilho espectral o envolve a ele e a caixa. Há um breve clarão e no instante seguinte ele já estava vestido com Ébano.

 

- Eu mesmo irei criar a minha paz... – Ele sorri e põe o elmo. A Surplice o envolvia completamente. Parecia um esqueleto sobreposto ao seu corpo. Coluna,

costelas, asas que lembravam as de um morcego e a proteção na cabeça parecia o rosto esquelético de um cavalo. – Dogma daqui para frente seria mais apropriado... Dogma de Testrálio, A Estrela Celeste das Trevas...

 

Distante dali...

 

Tohma põe-se sentado. Não havia mais sinais de luta por perto. Sora e Tomey o observaram intrigados.

 

- Onde está o senhor Kaus? E o Espectro? – O Pégaso fica de pé com dificuldade e por um instante sente um calafrio, mas não se importa muito com aquilo. – Não os vejo por aqui...

 

- O Espectro conseguiu fugir depois que o mestre Kaus apareceu... Eles lutaram por um instante e fugiu depois de acertá-lo com um golpe no rosto... – Tomey manteve o mesmo tom sério de sempre, mas sem olhar diretamente para Tohma. – O que está acontecendo com você, Tohma? Um Espectro daquele nunca conseguiria te acertar com tanta facilidade...

 

- Eu não sei... Por instante foi como se... Como se tivesse me transportado para outro lugar. – Tohma sente mais um calafrio arrepiar até seus pelos da nuca. Ele pisca os olhos e em seguida fica a luz que agora surgia majestosa no céu. Não estava mais chovendo. – Tenho um mau pressentimento...

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E gostei. Achei um bom capítulo explicativo, contando o que houve com o Cavaleiro de Virgem e o nascimento de mais um Espectro. Gostei da forma como foi apresentada, só "estranhei" o fato da Sobrepeliz estar numa urna, achei que isso era restrito as Armaduras, apenas.

 

Mas longe de ser uma crítica, apenas é estranheza minha mesmo.

 

Gostaria de ver o combate entre Kaus e Valentine. Uma pena que se deu em off.

 

Mas enfim, muito bom. Abraços!

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Precisei de um empurrãozinho pra escrever esse, Gu...

 

Nunca foi dito nada sobre como são guardadas as Surplices, acho que o sistema de urnas é válido também, que é a forma tradicional de se guardar as vestimentas, uma vez que elas possuem totem. Eu acredito que elas ficam desmontadas dentro da caixa e ganham forma quando a mesma se abre... Talvez seja um pouco mais complexo. XD

 

Obrigado por ler. =D

 

Ps: Fiquei com medo de fazer a luta uma porcaria, então deixei ela em off...

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Olá Everton, começei a ler sua fic e realmente está me prendendo ...

algumas coisas me pareceram meio sem nexo no começo pelo fato de você dizer que se trata

da primeira guerra entre Atena e Hades, mas vou deixar para fazer minhas

considerações depois de ler 3 ou 4 capítulos, lí os dois primeiros até agora!
Sua escrita é boa (apesar de alguns pequenos erros de digitação :P )

Gostei da maneira como a fic começa já em meio a batalha sem muito tempo para introduções

e as porradas comendo direto :)

No mais gostei da primeira impressão da FIC, continuarei acompanhado!
Grande abraço!

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Mal acabo de ler um e já me deparo com outro capítulo seu postado, Everton... (rs)

 

Então... acabei não resistindo e vim a cá ler.

 

Gostei muito das descrições a cerca dos personagens, em principal de suas expressões. Aliás, tal coisa já tinha me chamado atenção em capítulos anteriores, contudo neste, ficou evidente o seu esmero quanto a esses detalhes.

 

A interação de Minos, do Cavaleiro de Ouro de Virgem e do Espectro de Testrálio (a propósito boa escolha ao apontar essa criatura, me lembro dela nas aventuras de Harry Potter), ficou realmente muito boa.

 

Só não curti a ideia de acomodar as Sapuris em urnas...

 

Acho tal coisa mais inerente as armaduras de Athena, contudo é algo mais como uma opinião particular e nem de longe uma crítica.

 

É isso meu camarada...

 

Abraços.

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A urna é melhor que um colar cristal, né? kkk

 

Foi mais por questão de necessidade. Na verdade eu nunca me perguntei sobre como elas são guardadas.

 

@Yato

 

Seja muito bem vindo à fic! Esteja à vontade para comentar o que quiser, quando quiser... Qualquer dúvida é só me procurar!

 

Eu sou daquela vibe que acha que nem tudo precisa ser explicado no exato momento... Nem tudo em nossa vida acontece assim, né? Então mais detalhes virão com os capítulos futuros.

 

@Leandro

 

É uma fic de anime, e animes são famosos pelas expressões de seus personagens, por isso os olhos grandes e as bocas pequenas que normalmente ficam gigantescas num grito (XD). Gosto de passar a sensação de que você de fato está lendo como se fosse um mangá e imaginando as cenas como se fosse um anime.

 

Especialmente os olhos. Tenho que me controlar as vezes, porque sempre falo deles, se estão cerrados ou fitando alguma coisa, o brilho e por ae vai... Meu vício de descrição é esse... hehehe

 

Boa leitura aos próximos!

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Hum... hehehe Costumo ser sincero em tudo que comento, então... hehehe

 

Não gostei muito. Sei que essa foi a ideia, de descrever algo meio 'perdido'. Liham começou o capitulo perdido, continuou perdido no meio e no final pareceu está perdido também. Ficou tudo meio que entre borrões e essa descrição que incomodou um bocado.

Você escrevia em terceira pessoa como se estivesse escrevendo em primeira XD Fiquei bem perdido em alguns momentos.

Estranhei a luta de Virgem e Griffon no céu. E tu botou o nome de Propos lá do nada haha

 

Também não entendi o que o Liham é, mas talvez você explique futuramente. Ficou tudo nublado demais. Ele tinha cosmo, mas não era cavaleiro. Achei estranho também Minos indo até ele pra entregar a surplice. Eles fazem isso com todos?!

Estranhei a ideia das surplices ficarem em urnas também, mas até aí, de boa.

 

Também não curti tanto o final XD Sei que a ideia não era descrever a luta deles, mas enfim hehe

 

Apesar dos pesares Liham parece ser um grande personagem e gostei da surplice dele e também de suas convicções.

Fiquei curioso pra saber mais de Virgem e de ver Minos numa luta pra valer.

 

Apesar dos pontos apontados o capitulo até que foi bom XD Sua escrita é muito boa.

 

Parabéns.

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Pronto! Capítulo lido! ^^

 

O que mais gostei no capítulo foi você descrever o nascimento de um espectro. Achei isso bem legal e até inesperado.

 

Também, estranhei de inicio que a súplice estivesse numa urna, mas a ideia é bem aceitável.

 

Confesso que em certos momentos, eu fiquei meio confusa e tive que retornar a ler XD Mas nada grave rss

 

O final que me deixou intrigada... Aquele arrepio do Tohma cheira muito mal.

 

Enfim, no aguardo do próximo!

Editado por *Jeu*
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O capítulo era sim pra ser confuso, @Dih... hahaha

 

Só depois que você falou foi que eu me dei conta de que realmente tinha feito uma 3ª pessoa com ares de primeira, talvez por influência dos livros que tenho lido ultimamente.

 

@Mystic foi no ponto certo. Sim, o Minos deu uma de advogado na persuasão encima do Liham.

 

Devo começar a explicar algumas coisas nos próximos capítulos, porque a segunda fase, que começa no 14, vai precisar dessas informações. Eu atualmente estudo a possibilidade de fazer cada capítulo focado em um personagem diferente. Vamos ver como isso vai se dar.

 

Obrigado pelos comentários, e boa leitura aos próximos que chegarem. =D

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Capítulo 09: Meu Próprio Caminho...

 

Três rosas negras voaram dos dedos da mão direita de Linteun e partiram mortalmente em direção ao grupo de Espectros que o perseguia. Eles haviam encontrado os cavaleiros e Perséfone, como o dourado previra antes.

 

Niizu de Corvo corria ao lado da deusa colina acima, o cavaleiro de Auriga estava em combate direto com dois Esqueletos.

 

Uma das rosas atinge o elmo de Giganto e o destroça, mas o Espectro se abaixa em seguida e esquiva às outras duas.

 

O Peixe dourado pousa e abre os dois braços na intenção de impedir que qualquer um dos oponentes siga em busca da esposa de Hades.

 

- Está enganado se acha que pode me enfrentar, Ciclope... – O cosmo do cavaleiro o envolve e faz o capim aos seus pés sacudir de um lado para o outro.

 

- Você está muito ferido devido ao combate com as bestas e também recebeu um golpe da senhora Perséfone. Ainda acha que é capaz de vencer nós todos? – O Espectro aponta para outros dois que o acompanhavam. – Vai morrer assim como o seu companheiro Escorpião... Caiu pateticamente diante do poder do senhor Serafim. Bastou um único movimento de dedo.

 

- Não fale... Não fale do Alnyat! – O chão se destroça, e assim como no primeiro encontro com Giganto, Seu punho direito acerta o rosto do Espectro com tanta força que o faz voar para dentro do lago e afundar. Ele encara o Espectro da esquerda já com uma rosa vermelha na mão. – O mesmo vale para vocês dois.

 

O cavaleiro gira e deixa a rosa escapar pelos dedos, ela circunda o trio e cria uma fina e trêmula linha vermelha, como se fossem as cordas de um ringue. No instante seguinte ele salta, apoia-se com as duas mãos no chão ficando de cabeça para baixo. Suas pernas se abrem e seu corpo gira como um peão. O primeiro chute acerta em cheio o rosto do oponente que ele encarara por ultimo, mas logo a outra é agarrada pelo da direita.

 

O Espectro da direita segura com força a perna esquerda do cavaleiro o ergue e depois lança seu corpo contra o chão. O movimento seguinte é mais rápido. A perna direita de Linteun alcança o pescoço do oponente e com força ele liberta a esquerda, fazendo o mesmo movimento. Prendendo-o com as duas, o cavaleiro gira e derruba-o.

 

- Niizu, mais rápido! – Linteun grita o mais alto que pode, mas logo em seguida seu pescoço é puxado para baixo e todos os seus membros são agarrados por tentáculos que surgiam do chão, forçando-o a se abaixar. – Quem é?

 

- Raime de Verme... – Era o da esquerda. Sua bochecha estava vermelha devido ao chute e as partes visíveis dos tríceps marcadas, como se tivessem sido queimadas. As mesmas tinham entrado em contato com a linha vermelha que fora criada pela rosa. – Muito esperto você. Do que fez essa barreira?

 

- As rosas vermelhas são rosas que matam aos poucos com sua fragrância venenosa. – Ele olha de esguelha para o Espectro, o da direita estava se erguendo agora e Giganto emergia do lago. – O círculo que criei é uma variação... Ele concentra o veneno e o aquece com meu cosmo. O resultado é uma névoa mortífera. As queimaduras abrem os poros da sua pele de forma que o veneno entre com mais facilidade. Não vai demorar até que morra, Espectro.

 

- Então você irá antes de mim... – Raime cerra os dois punhos e os tentáculos de sua Surplice parecem reagir ao comando, apertando o pescoço do cavaleiro com mais força. – Ou você fará as honras, Wimber?

 

- Esse ultimo golpe doeu mesmo... E me marcou. – O Espectro da direita olha nos olhos de Linteun e o soca com força no rosto. – Só que ele é do Giganto... Foram dois socos. Eu pego a senhora Perséfone...

 

O Espectro salta para fugir do círculo, Mas ao realizar o movimento, a fina linha cresce para cima e para baixo criando um enorme cilindro púrpuro.

 

Todas as partes visíveis do corpo de Wimber são mortalmente marcadas de vermelho, como se estivesse em carne viva. Ele cai aos pés do cavaleiro com as mãos coçando os olhos e se debatendo desesperadamente.

 

- O próximo é você... – Linteun olha para Raime e sorri quando deixa uma rosa branca cair de sua mão direita. Ela voa certeiramente em direção ao coração do mesmo e o nocauteia. Os tentáculos o libertam. – Estes aqui não são imortais, ao que parece.

 

O cilindro se desfaz e o dourado encara Giganto que vinha correndo em sua direção.

 

Antes que o punho do oponente pudesse atingi-lo, ele salta por cima do mesmo e desfere um poderoso chute em suas costas, fazendo-o perder o equilíbrio e cair por cima do desesperado Wimber.

 

- Não param de se amontoar... – Altivo, o cavaleiro começa a caminha para cima da Colina, para onde Niizu e Perséfone haviam fugido. Auriga estava um pouco mais à frente.- Consegue vê-los?

 

- Não, senhor! Nenhum sinal deles... – O cavaleiro de prata estava visivelmente assustado. No topo da Colina havia um casebre no qual eles deveriam ter se escondido, como ordenara Linteun assim que sentiu o cosmo dos Espectros se aproximarem.

 

- Não pode ser...

 

Após o casebre havia a orla para uma pequena mata fechada, em meio às árvores estranhas e ao chão lamacento, um quarto Espectro desferira seu golpe silencioso.

 

O Chicote em sua mão direita estava enroscado em todo o corpo de Niizu como uma espiral. A deusa estava de joelhos ao lado do cavaleiro olhando desconfiada para o subordinado de Hades.

 

- Venha, Senhora Perséfone... O Imperador Hades enviou o deus Thanatos ao templo em Elêusis para buscá-la. Está extremamente irritado com a falha de Serafim e por pouco não o puniu... – Alto, ombros largos, longos cabelos brancos e olhos de cor violeta. Sua Surplice sustentava asas muito semelhantes às de um demônio e o seu elmo era ornado com dois chifres laterais. Passaram-se alguns segundos e a deusa não o responde. Ele aperta o cabo do chicote em sua mão e um cosmo negro o envolve, fazendo as marcas ficarem mais evidentes no corpo do homem caído. – Senhora Perséfone...

 

- Solte-o... Agora... – Ela se põe de pé. Seu vestido sacode como estivesse ventando muito ali, coisa que não estava acontecendo, e uma áurea vermelha a envolve. – Ordenei que soltasse o cavaleiro, Lune...

 

- Tenho ordens para levá-la de volta... Apenas isso. – Mais uma vez ele aperta mais o cabo refletindo no corpo do cavaleiro. Ele olha para além das árvores e vê um brilho tênue dourado se aproximar. Seus olhos se contraem e fixam-se. – Finalmente alguém que vale a pena espiar os pecados.

 

Seu sorriso é acompanhado pelo sangue que jorra do corpo de Niizu. Estava em pedaços agora. Uma cortina vermelha preenche o ar e cai lentamente, aos olhos de Linteun.

 

Ele ficou paralisado. Tamanha crueldade. O cavaleiro de corvo estava vivo até alguns instantes atrás, agora não passava de um amontoado de membros.

 

- Niizu... – Seus olhos estavam travados nos de Lune. O cavaleiro de ouro não tinha nenhuma ação, seu corpo enrijecera de tal forma que o sangue parecia simplesmente ter parado de circular. Passado alguns segundos ele aperta os próprios dedos fechando as mãos. – Você...

 

- Esse é o destino dos pecadores... Quer espiar os seus crimes, Peixe dourado? – Lune volta-se para Linteun e ergue o cabo do chicote na altura dos olhos. – Posso mostrar todos... Indicar o caminho que deve seguir quando penetrar no mundo dos mortos...

 

O solo era visivelmente infértil ali, mas foi impossível para o Espectro não notar os caules verdes que agora brotavam aos poucos. Eles erguiam-se com uma velocidade nada normal e segundos depois já estavam desabrochando em lindas rosas azuis.

 

- O que é isso? – O Espectro da alguns passos para trás e é surpreendido pelos espinhos das rosas, um simples toque trincou os pés de sua Surplice com facilidade. Ele não deixou nem por um momento de encarar o cavaleiro. – Está oferecendo rosas ao túmulo do seu companheiro?

 

- Com certeza estou... – Linteun caminha até Perséfone e a pega nos braços, ele não olha para o oponente. Ela passa os dois braços por trás do pescoço do cavaleiro e em seguida encosta a cabeça em seu peito esquerdo. – Eu vou te tirar daqui... Está tudo bem. – Ele sorri para ela.

 

- Mais um seduzido pela senhora, Deusa Perséfone? – O Chicote na mão do Espectro voa de encontro ao cavaleiro e o envolve por completo, evitando os braços que sustentavam Perséfone. – Será uma bela morte. É um fato que sempre gostei de rosas...

 

O chicote some.

 

Linteun vira-se e começa a caminhar em direção ao casebre ainda com a deusa nos braços. Seus passos são lentos, afundam em meio às flores, mas não é afetado, como se elas realmente não estivessem ali.

 

- Não seja presunçoso, cavaleiro... Está virando as costas para um inimigo como eu? – O sorriso que sustentara até então some, ele faz menção a se mover quando... – O que é isso?

 

Todo o cenário era negro agora, exceto o chão ladeado pelas rosas azuis. Lune estava sozinho nele, mas podia ouvir uma clara voz diretamente em sua consciência.

 

- Azure Rose - A voz era clara, calma e um pouco distante, certamente pertencia a Linteun. – Estas rosas possuem espinhos extremante poderosos e liberam uma fragrância alucinógena que restringe os movimentos do meu oponente, mergulhando-o em sua própria mente e fazendo com que a mesma seja facilmente

influenciada por minha vontade.

 

- Azure... – Os braços do Espectro ficam pendurados como se estivessem mortos e seus olhos ficam abismados, uma expressão totalmente perdida nas palavras que acabara de ouvir. Ele leva as duas mãos até a cabeça e cai de joelhos. – É impossível... Eu nunca seria derrotado tão rapidamente por um homem que está tão nos limites das próprias forças!

 

De volta à realidade, Linteun já alcançara a porta do casebre com Perséfone nos braços e o cavaleiro de Auriga ao seu lado. O Peixe olha na direção do lago e vê dois dos Espectros que derrotara antes começando a se levantar.

 

- Eu ainda tenho coisas a resolver com aqueles... – Ele começa a descer a colina. Suas vistas estavam trêmulas e seus passos já não eram tão firmes. Ele para quando duas mãos seguram o seu braço direito, ao olhar para trás vê os olhos negros da deusa o encarando com um ar preocupado. – Fique aqui com... Eu volto assim que acabar com eles dois.

 

Uma sombra negra projetou-se perante a lua e incontestavelmente estava vindo em direção ao grupo. Movimentos em sincronia, uma bater de asas quase surdo. Seres asquerosos que se aproximavam no escuro, Morcegos. Eles criam uma nuvem viva em volta do cavaleiro, praticamente cobrindo-o por completo.

 

- Sonar do Pesadelo... – Wimber estava à frente de Giganto. Seu rosto, pescoço, dedos, antebraços e coxas estavam vermelhos como se em carne viva, mas ele não deixava de mostrar um sádico sorriso no rosto. – Vai morrer e nem ao menos sentir, Cavaleiro. Simplesmente ouça a canção dos Morcegos.

 

Uma luz perolada começa a surgir de dentro da maça negra que se movia ao redor do cavaleiro e em seguida os animais são repelidos por um forte clarão. Muitos caem cegos e se debatendo. Outros são simplesmente pulverizados. Linteun envolvido por uma espécie de escudo.

 

O escudo era uma esfera transparente e com reflexos azuis e violetas que se moviam em formato de “S” por toda a sua extensão. Agarrada à cintura do cavaleiro estava Perséfone. Ela o criara.

 

- Obrigado... Você é realmente uma deusa diferente... – O cavaleiro sorria de forma terna para a deusa. Ela encosta a cabeça em suas costas e fecha os dois. Os dois continuam descendo a colina em silêncio depois disso. – Vamos acabar com eles...

 

Das palmas de suas mãos surgem as correntes verdes de cosmo da Alrisha. Ele aponta as duas para os Espectros.

 

- Alrisha final...

 

Ele não a gritou. Apenas pronunciou de forma tão calma que quase não foi audível para Perséfone.

 

- Fuja, Giganto! – Wimber vira-se para sair correndo, mas assim que é capaz de ver os olhos do Espectro de Ciclope, Seu corpo é agarrado pelas correntes e dilacerado pelos espinhos que surgiam nas partes que o tocavam.

 

- Wimber! Não pode ser... – Giganto Recua alguns passos, salta quando recebe a primeira investida da corrente, que bate contra o chão e o destroça. Ao voltar ao chão ele corre até o corpo de Raime, joga o Espectro nas costas e corre em direção ao lado. A segunda investida agarra sua perna e o derruba, fazendo o Verme deslizar para dentro da água. – Raime, Acorde! Fuja!

 

A Alrisha envolve a Surplice do Espectro e a destroça, perfurando o corpo de Giganto com seus espinhos verdes e fazendo com que seus olhos de besouro fiquem vidrados logo em seguida.

 

- Finalizados... – Linteun sorri mais uma vez. O mundo ao seu redor gira, seu corpo perde o equilíbrio e ele cai desacordado.

 

Seus cabelos sacodem graciosamente enquanto ele vai de encontro ao chão ainda com Perséfone o segurando pela cintura. Os dois caem juntos, mas ela estava acordada.

 

O cavaleiro de Auriga corre até os dois.

 

Passadas algumas horas, os dois se encontravam dentro do casebre, deitados ao chão, um paralelo ao outro e desacordados, mas conectados por suas mãos estendidas num forte aperto. Eles não se soltaram.

 

Os primeiros raios de sol atravessaram a janela pregada com taboas e foram de encontro ao rosto da deusa. Ela pisca as pálpebras. Seus cílios eram grandes e perfeitamente curvados. Olhos excepcionalmente lindos.

 

- Amanheceu... – Ela encara o teto sustentado por ripas que seguravam as telhas e ao sentir algo frio em sua mão ela olha para a esquerda. Linteun estava dormindo ainda. A deusa sorri e se põe sentada sobre os joelhos. Seu vestido estava muito rasgado agora. Desejara não ver o próprio reflexo em nenhum lugar imaginando que estaria horrorosa. – Me desculpe, Linteun...

 

A porta do casebre se abre para dentro, o cavaleiro de Auriga que estava de vigília havia montado o totem da armadura de corvo à entrada e agora a limpava com pedaço de pano esfarrapado.

 

- Deusa Perséfone... – Ele estava ajoelhado até então e logo fica de pé, a encara com um olhar sério. – Seria bom que voltasse para dentro... Não posso deixar que saia.

 

- Eu devo ser uma deusa muito pouco respeitada, não é mesmo? Tantos humanos querendo me dar ordens... – Ela desce o primeiro degrau encarando o céu que estava num mesclado de azul e laranja. – Athena também recebe tantas ordens?

 

- Eu gostaria de não precisar ter que agir assim, mas sou só um soldado do santuário... É o meu dever te levar até lá. – Ele passa a mão direita pela cintura e segura um disco. – Se for um pecado, pagarei quando morrer...

 

- Prometo conseguir um alivia para sua pena no inferno... – De debaixo do seu vestido surge uma fina névoa avermelhada que logo se espalha num raio de cinco metros em volta do casebre, chegando muito rapidamente ao cavaleiro. – Mas no momento eu acho que preciso eu mesma decidir o que farei de minha vida... O mais interessante de todo é que ela é eterna, afinal de contas. Ou talvez eu seja mais humana do que acho que sou.

 

O cavaleiro cai para frente desacordado. Ela desce os outros três degraus e caminha em direção ao lago. Ao chegar à margem se abaixa, coloca as duas mãos na água e em seguida lava o rosto, molhas os cabelos, limpa a sujeira dos braços, pescoço e pernas.

 

- Perséfone!

 

O grito irrompera de lá de cima, Linteun havia acordado e estava à sua procura.

 

Ela fica de Pé, seu corpo é envolvido por uma áurea vermelha e tanto seus cabelos, como o tecido do vestido começam a balançar.

 

- O que pensa que está fazendo? – Ele arregala os olhos e começa a descer a colina desesperado para impedir a busca da deusa, mas era tarde demais.

 

- Adeus, Linteun... Mas agora eu preciso achar meu próprio caminho... -Ela se transforma num raio rubro e sobe em direção ao céu, sumindo na linha do horizonte.

 

- Não! Não vá! – Ele pula para tentar agarrá-la no ultimo instante, mas só o que conseguira foi arrancar um pedaço da bainha de seu vestido com a mão direita e logo em seguida rolar pela grama. Ele se fecha com a cabeça entre os braços e pernas dobrados e o os cotovelos, joelhos e punhos tocando o chão. Uma lagrima vasa de seu olho direito e escorre pela ponta de seu nariz caindo numa única folha de grama. – Não! Não! Nãaaaaaaaaaaaaaaaaaaa!

 

[Delfos]

 

Os portões da cidade se abrem vagarosamente para que os três cavaleiros possam entrar. A segurança ali era reforçada. Vários soldados do santuário caminhavam pelas ruas largas da cidade empunhando lanças, escudos e espadas.

 

- Delfos... – Tohma estava segurando a alça da urna de sua armadura. Ele olha em direção ao grande palácio de mármore e vidro que se erguia no centro da cidade. – Seja lá o que for que tem aqui, está lá...

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Capítulo lido.

 

Olha, eu gostei. O combate de Linteun contra os Espectros foi muito bem movimentado e consegui visualizar as cenas perfeitamente.

 

Gostei bastante das técnicas novas incluidas para a Constelação de Peixes. Achei bacana!

 

Agora, o ponto alto foi Perséfone e Linteun. Acho muito legal a relação deles e fiquei de certa forma surpreso pela decisão de Perséfone e triste por Linteun, perdeu o amigo Alnyat e agora, Perséfone. Vamos ver como o Pisciniano vai ficar após essas duras perdas.

 

Coitado do Niizu. Seu bruto! /evil

 

Abraços!

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Acabei criando mais técnicas para o Linteun do que achei que faria... hahahaha, mas no fim das contas eu gostei do resultado final.

 

Perséfone foi uma personagem difícil de trabalhar, pq eu não a queria tratar como uma deusa como as outras. Ela viveu muito tempo trancafiada ao lado de Hades, sendo obrigada a estar ali e aqui ela decide que realmente não é isso que ela quer, espero ter passado essa sensação durante a leitura.

 

Vlw pelo comentário Gu!

 

ps: Fui dúmal mesmo mesmo com Niizu /evil

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Gostei bastante do capitulo. Super movimentado.

A luta contra os espectros foi realmente algo digno.

Linteun é o tipo de cavaleiro perfeito. O cara tá numa sequencia de lutas faz um tempo já e ainda assim tem disposição pra lutar dessa forma.

Gostei da variação das Rosas Vermelhas, muito apelativa. As Azure Roses são incriveis também.

Isso só me deixa estranhar o por que ele não as usou anteriormente sendo que quase morreu em alguns momentos... Mas enfim.

 

Peixes num mesmo capítulo venceu Lune, Raimi, Wimber e Giganto hehe PQP hehehe

 

Não consigo gostar de Perséfone ainda, mas nesse capítulo ela começou tomar contornos realmente interessantes.

Imaginei que ela estava apaixonada pelo Linteun, mas por ter ido embora, acho que não. O que é ótimo.

Gostei da barreira que ela criou e da névoa escarlate que ela usa pra enfeitiçar e agora pelo que vi vencer oponentes.

O impacto seria maior se ela tivesse feito isso com Linteun do que com o cavaleiro de prata, mas ficou legal essa parte.

Ela mesma se sente ridicularizada por ser tão pouco respeitada como deusa... Isso é importante. Espero que tenha algum destaque daqui pra frente.

 

Fiquei com dó de Niizu. Mas nem pela morte dele, mas por sua armadura. Os cavaleiros de corvo são sempre mortos assim aleatoriamente.

E sei lá. Acho a armadura e as técnicas de Corvo tão fodas. Só a Shiori conseguiu fazer algo legal com Corvo, porém era o negro. hehehe

 

Não to muito interessado na parte de Tohma hauhsauhsaushau Mas espero que me surpreenda.

 

Enfim, parabéns.

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Capítulo lido.

 

Duas técnicas acrescentadas para Peixes é mais do que uma adição, é uma distinta e uma marca para seu autor.

 

Bem movimentado e cheio de surpresas, muitos Espectros, perdas e revoltas no capítulo.

 

Excelente, meus parabéns.

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Aleluia Dih gostou (mesmo) de um! hahahaha. Fico feliz.

 

Perséfone é uma personagem que realmente pretendo trabalhar depois do retorno um pouco mais positivo que tive. Linteun é o arrebatador na série até o momento, mas prometo que virão outros... hehehe

 

O foco agora muda de vez para a história central. Tenho uma sequência de quatro capítulos que vai dar as linhas dos contornos da trama... Aguardem... =D

 

Aos próximos que chegarem, boa leitura. ^^

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Estamos na área, Everton...

 

Bom, sinceramente não gostei do capítulo...

 

A parte técnica que endossa seu talento, esforço e qualidade estavam lá como sempre e nessa parte o capítulo manteve o alto nível, contudo, do ponto de vista pessoal, não me agradou...

 

Achei que as técnicas mostradas para o acervo do Cavaleiro de Ouro de Peixes soaram meio que forçadas já que deixaram a pergunta do porque não tê-las usado antes quando estivera mais acuado?!

 

Outro ponto indesejável foi Perséfone...

 

Até entendo o que deseja passar com ela, mas na minha insuportável opinião, não vem conseguindo.

 

E tanto ela como seu Pégaso são os pontos baixos de sua história até o momento, no caso do Pégaso isso é mais preocupante, já que ele dá o nome a fic e se espera muito dele e até aqui o personagem não convenceu e nem mostrou a que veio, essa é minha opinião, claro.

 

Tanto isso é verdade que o arco dele pouco desperta em mim interesse.

 

Recomendo rever esses personagens.

 

Abraços.

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Capítulo 10: O filho dos deuses

 

O chão aos seus pés se desintegrou e ele fora arremessado para longe, colidindo com uma pilastra e partindo-a no meio. Tohma cai de joelhos, a tiara da armadura de Pégaso se solta e produz um ruído metálico ao tocar no chão.

 

O ambiente era envolto por um ar pesado. Tratava-se de um campo quadrado suspenso em meio ao nada. Havia apenas um caminho que o ligava a uma porta de entrada, usada pelos três cavaleiros para chegar até ali. No centro do tablado estava uma enorme estátua de jade de um Buda gordo, ela obstruía todo o caminho que dava para o lado oposto do lugar, onde havia três portas.

 

As gigantescas portas ocultas tinham cada uma desenhos distintos em alto relevo. A primeira, da direita, com uma árvore seca e sem folhas. A segunda, do meio, com o que seria uma chama. A terceira, da esquerda, com uma espécie de ânfora.

 

Os olhos da estátua brilhavam num vermelho intenso.

 

- Levantem-se... Nós não temos o direito de cair aqui... – Tohma se põe de pé com dificuldade, seu corpo estava com alguns hematomas no pescoço e na bochecha. – A nossa missão é entrar aqui...

 

- Tohma... A chave que o grande mestre entregou ao Sora só abriu a porta que está atrás de nós... Não tem como usar para abrir as que estão à nossa frente... – Tomey coloca a mão direita no ombro esquerdo do cavaleiro. Seu olha dessa vez preocupado. – Você não está normal...

 

- Tohma... – Sora levanta-se mais ao fundo e caminha até os dois mancando. – Não vai ser tão simples...

 

O trio havia adentrado o templo de Delfos instantes atrás. Usaram uma chave que o cavaleiro de Apus carregava presa ao pescoço por um cordão e abriram a porta da frente da grande construção.

 

- Se não é aqui... Está atrás daquelas portas... O templo de Delfos é conhecido como um lugar que usam para entender a vida. Toda vez que nos aproximamos da estátua... Ela ataca... – A voz do Pégaso fica embargada e ele cai de joelhos, os olhos marejados. Estava prestes a entrar em colapso. Ele põe as duas mãos na cabeça e as pressiona como se tentasse não ouvir mais nada. – Eu... Eu não entendo mais nada! Eu não sei o que está acontecendo comigo... Quando lutei contra aquele Espectro simplesmente saí de mim... Fui mais agressivo que o normal. Athena está distante, o grande mestre não revela nada preciso, e na ultima batalha foi acertado com tanta facilidade... Nem parece que sou eu...

 

- Pare com isso... – Sora o agarra pelo pescoço. Tomey tenta intervir, mas o Apus acerta-lhe com o cotovelo no tórax da armadura de Orion. Pela primeira vez ele parecia estar estressado. Sua mão esquerda aperta com força e ele encara diretamente o companheiro. – Você realmente não é assim... Desde quando chora?

Ele o solta e em seguida começa a andar em direção à estátua.

 

- Você foi ofensivo todas as vezes que tentou avançar contra a estátua. Já pensou em decidir o que realmente quer fazer? – Ele para de costas para os dois e olhando fixamente para os olhos vermelhos do Buda de jade. – É isso que ele quer. Quantos mais nos aproximávamos daqui eu sentia que estava entendendo os planos do senhor Dabih...

 

- Não o chame assim... – Tohma se coloca de pé mais uma vez e limpa as lágrimas dos olhos com as costas a mão direita. – É Grande Mestre...

 

- Quer aliviar suas dúvidas, Tohma? Se atrás dessas portas está o caminho das respostas, talvez aqui seja o lugar da verdade. Foi muito fácil chegar aqui, não acham? – Sora começa a andar em direção à Estátua e faz uma reverência. Os olhos dela piscam azuis e inesperadamente ela se levanta e caminha para o lado, deixando a porta da direita à amostra. – Você está assim porque sempre foi o queridinho do santuário. Um prodígio. Cavaleiro de bronze e já foi capaz de liderar uma pequena tropa contra Ares. Não suporta a ideia de não ter o que quer! Esse seu ego pode acabar te atrapalhando...

 

A porta se escancara dividindo a árvore em duas e fazendo entrar no lugar uma luz estranha. Branca, mas que não parecia ser natural do sol. A silhueta do cavaleiro de bronze atravessou o portal e antes de sumir por completo ele para e faz um sinal positivo com a mão direita, em seguida a porta se fecha.

 

- Árvore, Chamas e Cinzas... Sora escolheu a porta do passado. Aquela que é a origem de tudo. – Tomey se afasta de Tohma e sorri para o cavaleiro, apontando em seguida para as duas outras portas. – Ele está certo, e você sabe disso, Tohma... Consegue imaginar qual a sua porta?

 

- Sim... – O chão era meio avermelhado e o braço direito do grande mestre não parava de encará-lo apertando os olhos. Por um instante seus olhos percorrem o lugar com mais curiosidade. Não havia nada além de escuridão abaixo do terreno onde eles estavam. O teto também não existia, era como olhar para o céu durante a noite, só que sem estrelas. Pintando em tons de azul e negro. – Não preciso saber nem do passado nem do futuro... Só preciso entender meu presente...

 

A estátua caminha para a porta da direita e revela a central e a esquerda. Ambas abrem-se, mas os dois ficam parados diante da mesma.

 

- Eu duvido que essa coisa que estamos buscando esteja no futuro. Eu não sei o que o Sora foi tentar ver no passado. Talvez seja mais inteligente que nós dois, mas eu irei com você... – Tomey sorri para Tohma e fecha o olho esquerdo. – Vamos?

 

- Sim... – O Pégaso faz um aceno positivo com a cabeça e olha para dentro do portal escancara, havia a mesma luz estranha vindo dele. Os dois a atravessam.

As portas se fecham, a estátua caminha para o centro e se senta, obstruindo novamente as três portas.

 

[Porta do Passado]

 

Um enorme salão. Fechado, como uma casa do zodíaco no santuário, porém cheio de vida.

 

Fontes com água extremamente limpa nas extremidades, colunas enfeitadas com plantas, paredes pintadas com as gravuras de homens e mulheres, um céu cheio de vida no teto com anjos em perfeita harmonia. Ao centro havia uma ponte por onde passava um pequeno lago por baixo e bem ao fundo...

 

Quatro pilastras negras que concentravam correntes prateadas em cada uma, todas as correntes prendiam uma única pessoa no alto do púlpito.

 

O homem estava caído ao chão, sua bochecha esquerda colada ao piso frio, seus longos cabelos negros cobrindo seu belo rosto de olhos fechados e uma expressão de dor. Ele estava aparentemente desacordado. Os grilhões deixavam marcas avermelhadas em seus quatro membros. Ele trajava apenas uma túnica acinzentada e esfarrapada. Na parede atrás do púlpito havia doze sombras.

 

- O que é aquilo? – Sora paralisado ao observar o lugar. Tanta beleza misturada à tamanha crueldade. Seus braços ficam suspensos como se não houvesse força para mantê-los firmes. Seus olhos trêmulos e com a pupila diminuta. – Ei... Você ai!

 

Ele desce correndo a escada, mas no instante seguinte uma enorme pressão se projeta sobre seu corpo e ele cai colado ao chão, despencando do penúltimo degrau.

 

- Ei! Pode me ouvir?! – Sua voz estava ficando sufocada, ecoava apenas em sua mente. Quem era aquele homem? Porque ele estava simplesmente caído ali sem reagir? Deixara-se ser acorrentado? Estava ali porque queria? – Acorde...

 

- Deus?

 

A voz fraca ecoou por todo o salão. Sora ficara atônito e por um instante para de tentar se debater para levantar.

 

- É você, Deus?

 

“Deus?” – O cavaleiro de bronze fecha as mãos e tenta se apoiar com os joelhos, mas ainda era quase impossível se mover. – Sou Sora de Apus! Um cavaleiro de bronze de Atena!

 

- Atena? Um cavaleiro de bronze de... Atena... – Ao ouvir o nome da deusa o homem pisca e abre os olhos, revelando um tom vermelho alaranjado, como uma brasa incandescente. – Você é mesmo um cavaleiro? Não é o deus?

 

- Eu não sou um deus... O que está acontecendo? Porque está assim?!

 

- Vá embora... Enquanto você tentar avançar, seu corpo vai permanecer preso. Apenas o deus pode chegar até mim... – Ele fecha novamente os olhos. Seu rosto era belo, porém, estava muito magro. Os olhos do tórax bem protuberantes nos braços como nos pés. – Sai já daqui...

 

- Me deixe ajudar... Eu fui enviado até aqui... É uma missão... – Sora tenta mover-se mais uma vez. Seus ossos partiriam a qualquer instante, mas mesmo assim ele precisava chegar até o homem. – O Grande Mestre é um homem muito sábio mesmo...

 

- Grande Mestre... Deus... – Mais uma vez o homem abre os olhos, mas dessa vez com uma expressão de espanto. O nome do Grande Mestre Chamara mais sua atenção do que o de Atena. – Foi o deus mesmo quem te mandou?

 

- Deus? Ele é o deus de quem você fala? – Por um instante ouviu-se apenas o som da água corrente do pequeno lago passando por debaixo da ponte de madeira. Sora sorri. – Ele é realmente um homem muito sábio. O Grande Mestre me entregou a chave de Delfos que o cavaleiro de Virgem, morto em batalha enviou. Delfos é mesmo um lugar para achar respostas. O tempo todo, eu é que devia terminar essa missão, ele sabia que o Tohma devia fazer outra coisa aqui, por isso não deu muitos detalhes...

 

- Propos... Morreu? – Dessa vez sua boca ficara seca e se contraíra. Seus olhos mais uma vez fechados, e dessa fez as mechas lisas escorregam de modo que ocultam os mesmos. – Entendo...

 

- Propos é o cavaleiro de Virgem... Ele morreu contra um Espectro enquanto tentava defender uma cidade no sul do país. A armadura ficou com o seu assassino, e Libra foi até lá para resgatá-la.

 

- Você já conversou pessoalmente com Atena, Sora?

 

- Não... Ela faz pouca aparições diante dos cavaleiros menores, mas Tohma é muito próximo dela e Tomey já a viu de perto. Porque essa pergunta?

 

- Eu converso com todos esses deuses... – Ele olha para as figuras na parede atrás dele. – Apagaram seus desenhos porque acham que humanos são muito pretensiosos tentado recriar sua imagem. O que eles nunca admitem... É que tem medo de nós.

 

- Medo?

 

- Medo... Medo das suas mais perfeitas criações, por mais que digam o contrário. Humanos são o que há de mais próximo dos deuses nesta terra. Não parece, não é? Mas se quiséssemos, nós poderíamos sozinhos derrubar o Olimpo. Atena é uma deusa boa, mas tenta mostrar imponência ocultando sua fragilidade atrás das cortinas do Santuário. Ela não é a única... – Ele se põe de joelhos. Os seus cabelos eram divididos em três grandes mechas, duas que lhe caiam pelos ombros e uma mais expeça atrás que ia até o fim das costas. – Deus é com certeza o mais perfeito dos humanos nesta era. Me prendeu aqui como parte final do meu treinamento como cavaleiro, me fez, talvez, sua arma mais poderosa.

 

- Prendeu? O Grande Mestre te deixou nessas condições? Esta preso por correntes! Não acredito nisso!

 

- As correntes não são um incômodo... Na verdade elas me protegem do ataque “deles...” – Ele sorri e olha mais uma vez para o desenho quase totalmente apagado dos deuses. – Treze anos de minha vida, após dez de treinamento no santuário... Desde então eu não me movi deste lugar, fui alimentado com toda esta calma e a luz que vem de cima. Tudo o que tenho feito é conversar e observar o deuses. Praticamente me sinto como um filho deles... – Dessa vez ele fica de Pé, mas as correntes não permitiam que ele fizesse nada além disso. O estado do seu corpo era realmente deplorável. Os grilhões folgados, por pouco suas mãos não eram capazes de escapar de seus apertos. – O que nós podemos fazer se tivermos os conhecimentos necessários para preparar a mais perfeita emboscada contra nossos criadores? Eu estou na porta do passado, a única que não pode ser aberta por dentro. No passado justamente para entender como eles se revoltaram contra seus pais, como atacaram seus próprios progenitores... Deuses talvez sejam mais impuros que nós todos, mas deposito toda a minha fé no meu deus, e consequentemente em Atena, a deusa dele... O meu nome é Heze e sou o Novo Cavaleiro de Ouro de Virgem...

 

[Templo de Elêusis]

 

Seus passos ecoavam baixinho ao longo do salão que acabara de adentrar. A Surplice de Kagaho estava trincada em diversas partes. Ele ajoelha-se diante do trono onde o Arcanjo estava sentado e faz uma breve reverência.

 

- Estou aqui, Senhor... Acabo de voltar do Mundo dos Mortos... – O Espectro agora olhava em direção aos vitrais coloridos da janela nas laterais no salão. Ela formava um mosaico esplêndido do casal Hades e Perséfone. Ele abraçando-a, tentando forçar um sorriso e ela visivelmente feliz. – O prisioneiro está devidamente escondido na quinta prisão... Como o lugar é de responsabilidade minha, duvido que questionem alguma coisa. Além disso, Peguei as informações que precisava do tal humano que tentou atingir o imperador Hades quando ele foi até Athenas... Trata-se do Cavaleiro de Bronze de Pégaso...

 

- Acredito que ele tenha feito isso em sua Surplice... – Serafim cruza as pernas e sorri pelo canto da boca, seu olhar maldoso, porém tranquilo observando cada rachadura na vestimenta do Espectro. – Eu ainda posso sentir rastros de seu cosmo em cada uma das fissuras que deixou ai...

 

- É um homem forme, porém, instável... Durante a luta o seu cosmo deu um salto incrível... Era como se ele estivesse...

 

- Recebendo energia extra. Esse tal Pégaso é intrigante... Eu preciso vê-lo com certeza... Talvez seja ele mesmo... – O arcanjo se levanta e gira para caminha em direção à varanda do salão, Kagaho o acompanha. – O Imperador Hades já partiu?

 

- Sim... Ele e Hypnos já devem ter chegado a Delfos...

 

- Delfos... – Serafim encara a linha do horizonte, que era tingida por tons de azul misturado ao laranja pálido do nascer do sol. – Acho que deveria ir até lá também...

 

[Delfos]

 

A porta do Passado fora escancarada com força. Arrancada das dobradiças e pulverizada com um cosmo extremamente poderoso. Parados no portal de entrada estavam os dois deuses.

 

Hades trajava sua majestosa Surplice e segurava em sua mão direita a ameaçadora Espada. Hypnos também vergava sua vestimenta com vistosas penas de pavão presas às costas.

 

- O que fazem aqui, Humanos? – A voz de Hades não foi tão imponente como costuma ser, mas mesmo assim audível.

 

“Destruiu a porta! Quanto poder...” – Sora fora arremessado para cima da pequena ponta de madeira, Heze continuava parado no mesmo lugar.

 

- Estes são Hypnos... Deus do Sono e Hades... Imperador do mundo dos mortos... – Heze abre os olhos, dessa vez de forma imponente. Uma áurea vermelha se concentra ao redor dele e seus braços e pernas em chamas fazem os grilhões derreterem e se soltarem como se fosse cera de vela. Aos poucos seu corpo parecia absorver vitalidade da áurea que ele mesmo emanava. Estava inchando, seus músculos ganhando forma. Parecia um novo corpo. – Que dia movimentado...

 

[Continua]

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Capítulo lido.

 

Gostei muito deste, principalmente ao mostraste mais da personalidade de Tohma.

 

A cidade de Delfos tem sido uma excelente adição e inspiração para esta passagem, a descrição do cenário da prisão de Heze, foi muito bem feita e descritiva.

 

Excelente, parabéns.

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Apesar de ler nem com tanta empolgação assim por se tratar de um capítulo com o foco no arco envolvendo o Pégaso, e o autor me desculpe por essa sinceridade, confesso que até gostei, em principal por Sora ter tido o destaque.

 

Mas quem roubou a cena mesmo foi Heze. A cena com ele acorrentado me lembrou muito Prometeu no Cáucaso.

 

Aliás, a descrição envolvendo Delfos esteve magnífica assim como as expressões dos personagens. Nem deveria estar elogiando mais isso e me desculpe se estou sendo repetitivo, mas é que você faz tal coisa de forma tão fantástica que não tem como elogiar.

 

No mais, foi um capítulo onde a qualidade textual e descritiva saltaram aos olhos, apesar de haver alguns erros ortográficos que com um pouco mais de atenção poderiam ter sido evitados.

 

Abraços, Everton.

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Quem sabe eu não consigo mudar a opinião do pessoal sobre o Tohma nos proximos capítulos? Hehehe

 

Os próximos capítulos serão focados neles sim e talvez o personagem acabe agradando mais. Sora é alguém que quero explorar com o devido cuidado, seu momento está chegando...

 

Os três próximos capítulos encerrarão este primeiro ciclo, então aguardem. =)

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Capitulo lido.

 

Tohma então é o queridinho do Santuário. Infelizmente isso vai fazer um mal tremendo a ele.

 

Agora o que mais intrigou foi o Heze. Acho que ele vão acabar sendo usado como receptáculo de Hades, ou então vai acabar morrendo.

 

Kagaho guardião da quinta prisão? Stand ficou sem trabalho... /evil

 

Quero ver Serafim em ação e como Sora vai se portar na presença dos dois Deuses.

 

Abraços!

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Exatamente, Gu. É o queridinho no santuário, e como breve spoiler, irei revelar como isso aconteceu, anos atrás, nos próximos capítulos.

 

A sequência 10/13 será na verdade a grande introdução à história principal, que vou me esforçar para fazer com que todos se agradem. =D

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Pode ser uma falta de conhecimento meu, mas achei estranho um Buda ser guardião de Delfos que é um local totalmente grego.

Mas gostei da ideia das três portas apesar de não te-las entendido ainda. Talvez fique sabendo melhor nos próximos capítulos, porém usá-la como Prisão pra um cavaleiro achei um pouco estranho por que ali é um local aberto para qualquer ser e deus.

 

Gosto muito de Sora e ver o quão ele é maduro e responsável.

Tohma tem deixado a desejar. Por que o personagem só fala do passado sendo que não sabemos nada dele. Então toda vez que ele aparece não tem nada a acrescentar, nem a história, nem a ele mesmo.

Imaginei que Tomey entraria na porta do futuro, já que eram três. Já que eles não sabem de nada... E se o que estavam procurando estivesse lá? hehe

 

Porém Heze me agradou muito em suas palavras, descrição e em ser o novo cavaleiro de virgem. FIquei empolgado principalmente com a chegada de Hades e Hypnos! Eitcha que a coisa vai pegar fogo agora hehehe Pior que Heze pareceu não se importar muito... Que medo hehe

 

Parabéns, Everton.

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